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Mulheres africanas se unem para combater caçadores ilegais na África

2020-06-22

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Mulheres africanas se unem para combater caçadores ilegais na África

Lar de leões, elefantes e todos aqueles animais grandiosos que sonhamos um dia conhecer, a África do Sul luta há décadas contra caçadores ilegais, um dos motivos da extinção de diversas espécies. Chifres de rinocerontes hoje valem mais do que ouro e atraem centenas de comerciantes ilegais, que fazem o que for preciso para obter o que querem. No entanto, um grupo de 33 mulheres corajosas decidiu lutar contra isto e estão dedicando suas vidas para combater os caçadores ilegais.

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80% da população mundial de rinocerontes vive na África. Segundo estatísticas oficiais do Departamento de Assuntos Ambientais da África do Sul, 1.028 foram caçados em 2017, o equivalente a quase três rinocerontes capturados todos os dias. Apesar do número ser alto, ele caiu quando comparado ao ano de 2016 e o motivo foi graças à patrulha das Black Mambas, uma unidade anti-caça furtiva essencialmente feminina, sediada na Reserva Natural Balule, no Parque Nacional Greater Kruger, da África do Sul. O parque costuma receber milhares de turistas todos os anos, mas infelizmente também é invadido por caçadores, que aproveitam as madrugadas para matar os rinocerontes e roubar seus chifres.  O lema destas mulheres é: “Se não pararmos os caçadores, quem o fará?”.

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Collet Ngobeni é uma delas e diz que faz isto pelos seus filhos: “Quero proteger a natureza e garantir que meus filhos e as gerações futuras possam ver rinocerontes e toda a vida selvagem na vida real, não apenas em imagens nos livros”, explica. O Kruger Park já foi considerado o maior foco de caça furtiva da região, mas hoje conta com este grupo, formado por 33 mulheres e 2 homens. O grande diferencial das Black Mambas, no entanto,é que eles combatem a caça com o uso na não violência. Ao contrário da maioria das unidades de combate à caça, os membros vão à luta de “mãos limpas”, ou seja, sem armas.

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Outras unidades da região costumam ser compostas por militares, que utilizam helicópteros e todo o aparato militar necessário. Mas as Black Mambas acreditam que a batalha não precisa ser travada por esses meios, já que o objetivo não é criar mais conflitos, mas apenas salvar os rinocerontes. As mulheres passam grande parte do dia caminhando no campo, enquanto procuram caçadores ilegais em patrulhas de vigilância diárias, coletam informações, removem armadilhas destinadas a capturar animais selvagens e rastreiam cozinhas de carne silvestre e acampamentos de caçadores. Caso se encontrem com um caçador furtivo, eles estão equipados com walkie-talkies para pedir apoio, se necessário. Caminhar nas reservas naturais durante 8 horas por dia, debaixo de sol e calor e ainda “enfrentar” elefantes, búfalos e leões, não é tarefa fácil, mas elas são verdadeiras heroínas.

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“O maior desafio é treinar e trabalhar no mato com animais perigosos”, diz Ngobeni. “Mas o que mais gosto no meu trabalho é estar na natureza e ver animais”, diz a africana. O programa ainda treina jovens e crianças, para que eles aprendam a importância de se preservar a vida selvagem. As Black Mambas Bush Babies aproveitam as férias escolares para levar as crianças à reserva e ensinar-lhes os diferentes comportamentos da vida selvagem, como proteger os animais e noções de sustentabilidade. Assim, as Black Mambas tornaram-se as grandes heroínas da região e mostram que o futuro precisa ser construído com amor, coragem e dedicação, e que não podemos combater a violência com ainda mais violência! “Ser mulher Black Mamba é como ser uma rainha da selva”, diz Leithah Mkhabela, de 25 anos, orgulhosa de seu primeiro emprego.

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Fotos: divulgação Black Mambas

 

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